quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Beduínos atormentados por ar condicionado

Depois que a gente começa a escrever sobre o nosso próprio dia, começamos a perceber que vida não é tão monótona assim. Na verdade é um mix de sentimentos, pensamentos, ações, palavras, percepções, aprendizado e idiossincrasias que nos deixam por vezes atordoados, assim como se passássemos repetidas vezes de uma sala à temperatura ambiente para outra com o ar condicionado. Deve ser por esse motivo que também às vezes, na nossa vívida linha do tempo, soframos dores de cabeça e alguns tipos de 'viroses' psicológicas...

Hoje fui cotar uns preços de notebooks cidade à fora. Vendem-se aqui notebooks (e correlatos) tal qual se venderia água aos beduínos de um deserto. E de fato nós somos beduínos da era da informação, nesse lugar é claro. Olhando para o mundo, já deveríamos nos sentir assim só de saber que moramos no Brasil. Certa vez ouvi uma má língua afirmar que existe de fato viagem no tempo e para tanto bastava-nos sair de nosso país e viajar para o Japão. Seriamos transportados cerca de 300 anos à frente do nosso presente.

Algumas coisas são tão intrigantes. São tão complexas. Tão mais complexas quanto o que se chama de complicado. E são coisas tão corriqueiras, tão no sentido do existir mais essencial, que deveriam ter respostas mais fáceis. Deve ser que viver mais fora da essência torna as coisas mais simples.

Outras coisas são fantásticas. Para mim as mais esplêndidas produções humanas são suas músicas. Não consigo dicernir a causa: você apenas sente e é influenciado. Você se rende. Se rende ao seu próprio sentimento, que a música traz somente à evidência. Ela te invade e te sugestiona. Voçê apenas faz. Cuidado meus caros. Caso típico de hipnose, em que você mesmo se faz entrar num profundo sono da realidade, mas vigia em teus sonhos.

E se há um lugar em que não haja tempo, é lá onde não faz nenhum sentido chamar de lá, nem de aqui...nem de acolá.

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