quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Acomodados funcionais

Por que será que tentar entender um pouco mais do mundo à sua volta lhe pesa a tag de maluco? Parece que as pessoas (as que buscam um pouco de conhecimento, embora limitado) determinam a seguinte máxima: "só se deve obter do mundo um conhecimento fragmentado. Isso que é ciência! Caso vossa senhoria vá além da 'área' que lhe foi designada aprender, será taxado de maluco." Bom, e assim todo aquele que não consegue imaginar as coisas à sua volta desassociadas, numa relação de independência, vai, nesse ponto de vista, ser o maluco da vez. É necessário, para se fazer ciência, fragmentar o conhecimento. Isso facilita a abordagem que se quer fazer. Entretanto, o mundo não é um quebra-cabeças! Imaginem uma dançarina e um atleta de jiu-jitsu. Praticamente antagônicos. O que entre eles há de relação? Ambos dominam técnicas de movimentação corporal. Nesse ponto, a Física e a matemática surgem no estudo desses movimentos. Por sua vez, a Biologia sabe muito bem que a execução dos movimentos num organismo vivo requer inúmeras relações entre seus sistemas e órgãos, enquanto a Nutrição dá inúmeras recomendações de alimentação para que o corpo trabalhe da melhor forma. A Química vê no metabolismo animal um berço cheio de reações químicas fundamentais. A arte dá sentido a todo movimento e lhe dá destaque digno de apreciação. Por outro lado, o atleta ou o artista podem ser acometidos de doenças das mais variadas, inclusive as da mente [Medicina]. Podem ser neuróticos ou neurastênicos, o que já é escopo da Psiquiatria. Sua relação com a platéia ou público, com o seu técnico ou sua equipe, consigo mesmo em termos de motivação são objeto de estudo da Psicologia. Enfim, não há dúvidas que tudo está interligado e, para termos o melhor entendimento de como as coisas à nossa volta são e funcionam, temos que ter um olhar que perpassa a área que escolhemos aprender. Depois disso, meus caros, eu concluo: não sou eu que sou maluco, são essas pessoas que tem preguiça de ler e se intruir. São, na melhor das hipóteses, acomodados funcionais.

Vou ali mentir um pouco dar uma aula de cálculo aplicado à micro-economia. O nome é feio, mas não é nada demais...